Texto:
Educação Escolar de Pessoa com Surdez - Atendimento Educacional Especializado
em Construção. Autores: Mirlene Ferreira Macedo Damázio e Josimário de Paulo
Ferreira.
O
texto relata que historicamente a educação de pessoas com surdez sempre foi
fruto de reflexões e de muitos embates políticos e epistemológicos entre
gestualistas e oralista, que por ora responsabilizam o fracasso escolar embasados nestas duas
concepções, tendo como conseqüência o não desenvolvimento integral destes
sujeitos.
A fim de
que se atinja o pleno desenvolvimento da
pessoa com surdez faz-se necessário concebê-lo
como um ser biopsicossocial, cognitivo, cultural como pessoa capaz de aquisição
e produção de conhecimento e não como dicotomizações entre gestualistas e
oralistas, que terminam por canalizar o problema do não desenvolvimento
individual e coletivo da pessoa com surdez para a questão da língua, e não para
a prática pedagógica.
Portanto,
o entrave da educação das pessoas com
surdez não pode continuar centrado na questão da língua como defendem os
gestualistas e oralistas, pois o sucesso escolar ou fracasso está enraizada nas
práticas pedagógicas desenvolvidas nas instituições de ensino.
Defende os
autores uma nova tendência: o bilingüismo.
O
bilingüismo tem como fundamento legal o
Decreto 5.626/2005, em que determina a Língua Brasileira de
Sinais e a Língua Portuguesa preferencialmente na modalidade escrita, sejam trabalhadas
de forma simultânea por contribuem para a formação educacional da pessoa surda, garantindo para as pessoas com surdez uma educação em duas
modalidades: em LIBRAS, como primeira língua e em Língua Portuguesa na
modalidade escrita, como segunda língua.
Para que a aprendizagem aconteça,
segundo Damázio o AEE deve estruturar-se em 3 momentos didático-pedagógicos
distintos:
1. Atendimento
Educacional Especializado EM LIBRAS; tem como objetivo ministrar os conteúdos
curriculares antecipadamente ao trabalhado da sala de aula comum, garantindo
uma melhor compreensão dos conteúdos que serão trabalhados nas duas línguas
(sinais e língua portuguesa.
2. Atendimento
Educacional Especializado para o ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA; tem como objetivo
desenvolver a competência gramatical e linguística, bem como a textual, para
que o aluno possa gerar sequências linguísticas bemformuladas.
3. Atendimento
Educacional Especializado para o ensino DE LIBRAS; tem como meta assegurar ao
aluno o acesso a uma língua, uma vez que muitos alunos não tem domínio nem da
língua dos sinais, tampouco da língua portuguesa.
Enfim, as
pessoas com surdez devem estudar numa escola comum com direito do pleno
desenvolvimento e aprendizagem por meio de Libras e da Língua Portuguesa,
através de uma práticas pedagógicas
através do suporte pedagógico do Atendimento
Educacional Especializado EM LIBRAS , Atendimento
Educacional Especializado para o ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA
e do Atendimento Educacional
Especializado para o ensino DE LIBRAS.
DAMÁZIO,
M. F. M.; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas com Surdez-Atendimento
Educacional Especializado em Construção. Revista Inclusão. Brasília: MEC, V.5,
2010. p.46-57.